Como se concentrar: 8 mudanças que funcionam (inclusive para estudar)

Para se concentrar, tome as decisões antes de sentar: escolha uma tarefa e o primeiro passo dela, deixe o celular em outro cômodo, trabalhe ou estude em blocos curtos com pausas fixas e durma o suficiente na noite anterior. A concentração depende mais de como você se organiza do que de quanto você se esforça, e cada uma dessas mudanças tem estudos por trás.
Por que é tão difícil se concentrar
Quase toda dificuldade de concentração vem de três coisas que você pode mudar.
O celular está perto demais. Em uma série de experimentos, quem deixou o celular em outro cômodo foi melhor em testes de memória de trabalho e raciocínio do que quem estava com ele na mesa, virado para baixo e no silencioso (Ward et al., 2017). Nem precisa olhar para ele para que leve parte da sua atenção.
Você troca de tarefa demais. Quando você deixa algo pela metade e pula para outra coisa, parte da atenção fica presa na primeira. Leroy chamou isso de resíduo de atenção, e quem tinha mais resíduo rendia pior na tarefa seguinte (Leroy, 2009). Cada olhada rápida nas mensagens é mais uma troca.
Você está cansado. Em uma meta-análise de 70 estudos, passar uma noite sem dormir afetou a atenção simples mais do que qualquer outra capacidade medida. O raciocínio quase não mudou, mas os lapsos de atenção aumentaram muito (Lim e Dinges, 2010).
8 mudanças para se concentrar melhor
- Escolha uma tarefa e anote o primeiro passo. "Adiantar o trabalho" é vago. "Escrever o parágrafo de introdução" você consegue começar agora.
- Faça um plano "se... então". Por exemplo: "Se forem 9h e eu já tiver feito o café, então abro o documento antes do e-mail". Uma meta-análise de 94 testes mostrou que planos nesse formato tinham um efeito de médio a grande para atingir metas (Gollwitzer e Sheeran, 200638002-1)).
- Deixe o celular em outro cômodo. Nem virado para baixo, nem no bolso. Se precisar dele para códigos de verificação, deixe no corredor.
- Bloqueie os apps que você abre por costume. Redes sociais, vídeos e notícias durante o horário de estudo ou trabalho, para que "só uma olhadinha" deixe de ser opção.
- Trabalhe em blocos com pausas fixas. Em um estudo com 87 universitários, quem fez pausas fixas, 6 minutos a cada 24 de estudo (no estilo da técnica Pomodoro) ou 3 a cada 12, terminou menos cansado e distraído e mais concentrado do que quem parava quando achava melhor. E fez a mesma coisa em menos tempo (Biwer et al., 2023).
- Termine ou registre antes de trocar. Se precisar parar no meio, escreva uma linha sobre onde parou e o que vem depois, e feche aquela aba.
- Tenha uma lista de distrações. Quando aparecer um pensamento ("responder a Ana", "comprar leite"), anote no papel e volte para a tarefa. A lista fica para a pausa.
- Cuide do sono. A concentração começa na noite anterior. Se dormiu mal, deixe o mais difícil para quando estiver mais desperto e faça blocos mais curtos.


Bloqueie as distrações enquanto estuda
O LockTy bloqueia os apps que você escolher por horário, quando você chega à biblioteca ou ao escritório, ou por modos, então a regra já está ativa antes de a tentação aparecer. Se precisar de um app por um minuto, você pode pedir uma pausa curta em vez de desligar tudo.
Como se concentrar para estudar
Para estudar, o que você faz dentro do bloco importa tanto quanto o bloco. Uma grande revisão de técnicas de estudo apontou como as mais úteis testar a si mesmo (questões, flashcards, provas anteriores) e espalhar o estudo por vários dias. Reler e grifar ficaram como técnicas de baixa utilidade (Dunlosky et al., 2013).
Os métodos ativos também dificultam que a cabeça vá para outro lugar. Reler uma página pensando em outra coisa é fácil. Responder de memória a uma questão sem prestar atenção, não.
Um esquema simples para uma tarde de estudo para prova ou vestibular:
- Antes de começar, anote os temas que vai revisar e prepare 10 ou 15 questões.
- Em cada bloco, tente responder sem olhar e depois confira.
- O que você errar vai para a lista da próxima sessão, de preferência em outro dia.
Exemplo de uma sessão de foco
É um exemplo, não uma regra. Ajuste os horários ao seu dia.
Horário | O que você faz |
|---|---|
8h45 | Celular em outro cômodo. Apps que distraem bloqueados até as 11h. |
8h50 | Anote a tarefa, o primeiro passo e o plano "se... então". |
9h00–9h24 | Bloco 1: uma tarefa só. |
9h24–9h30 | Pausa: levante, beba água, nada de rolar a tela. |
9h30–10h30 | Mais dois blocos com as mesmas pausas. |
10h30 | Pausa longa. Veja as mensagens e a lista de distrações. |
Se no começo 24 minutos parecerem muito, comece com 12 de trabalho e 3 de pausa, o horário curto do mesmo estudo.
Erros comuns
- Esperar a vontade aparecer. O plano "se... então" decide por você. Comece pelo primeiro passo mesmo sem vontade.
- Deixar o celular por perto "só por garantia". Ele tira atenção mesmo sem você encostar nele.
- Pular as pausas para render mais. No estudo de Biwer, quem controlava as próprias pausas estudava por mais tempo seguido e terminava mais cansado e distraído.
- Querer mudar tudo de uma vez. Comece pelo celular e pelo primeiro passo. O resto vem quando isso já estiver automático.
Quando é mais do que distração
Se você não consegue se concentrar em lugar nenhum, já faz meses e isso atrapalha o trabalho, os estudos ou os relacionamentos, converse com um médico ou psicólogo. A dificuldade de concentração pode vir junto com TDAH, ansiedade, desânimo ou problemas de sono, e um profissional pode avaliar isso.
Se você já ouviu falar de detox de dopamina, veja o que ele pode e o que não pode fazer. Para mudar hábitos aos poucos, a calculadora de quanto tempo para formar um hábito dá uma estimativa a partir do dia em que você começa. E para um período mais longo de foco, o monk mode (em inglês) aplica essas regras por 30 a 90 dias.
Perguntas frequentes
Por que eu não consigo me concentrar?
O mais comum é ter o celular por perto, pular de uma tarefa para outra sem terminar, não saber direito o que fazer e dormir pouco. Tudo isso dá para resolver mudando o ambiente. Se faz meses que você não consegue se concentrar em lugar nenhum, procure um médico.
Como se concentrar para estudar?
Deixe o celular em outro cômodo, estude em blocos fixos com pausas curtas e use métodos ativos. Testar a si mesmo e espalhar o estudo por vários dias funciona melhor do que reler ou grifar, segundo uma grande revisão de técnicas de estudo.
A técnica Pomodoro funciona?
Em um estudo de 2023 com 87 universitários, quem fez pausas fixas, por exemplo 24 minutos de estudo e 6 de descanso, terminou menos cansado e distraído e mais concentrado do que quem parava quando queria, e fez a mesma coisa em menos tempo.
Como parar de me distrair com o celular?
Deixe o aparelho em outro cômodo enquanto estuda ou trabalha, desative as notificações e bloqueie os apps que você abre por costume nesses horários. Em experimentos, ter o próprio celular na mesa, mesmo virado para baixo e no silencioso, reduziu as notas em testes de memória de trabalho e raciocínio.
Como me concentrar por mais tempo?
Trabalhe em blocos e planeje as pausas em vez de ir até a exaustão. O sono também conta: dormir pouco afeta a atenção simples mais do que quase qualquer outra capacidade mental.

LockTy
Bloqueie os apps que distraem e desbloqueie cumprindo suas metas do dia: passos, sono, leitura ou treino.
Fontes
- Ward AF, Duke K, Gneezy A, Bos MW (2017). Brain drain: the mere presence of one's own smartphone reduces available cognitive capacity. Journal of the Association for Consumer Research 2(2):140–154.
- Leroy S (2009). Why is it so hard to do my work? The challenge of attention residue when switching between work tasks. Organizational Behavior and Human Decision Processes 109(2):168–181.
- Gollwitzer PM, Sheeran P (2006). Implementation intentions and goal achievement: a meta-analysis of effects and processes. Advances in Experimental Social Psychology 38:69–119.
- Biwer F, Wiradhany W, oude Egbrink MGA, de Bruin ABH (2023). Understanding effort regulation: comparing 'Pomodoro' breaks and self-regulated breaks. British Journal of Educational Psychology 93(S2):353–367.
- Lim J, Dinges DF (2010). A meta-analysis of the impact of short-term sleep deprivation on cognitive variables. Psychological Bulletin 136(3):375–389.
- Dunlosky J, Rawson KA, Marsh EJ, Nathan MJ, Willingham DT (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest 14(1):4–58.

Sobre o autor
22 anos, desenvolvedor de software e empreendedor em Madri.
Sou o Gabriel, tenho 22 anos e moro em Madri. Programo, empreendo com meus próprios produtos e gosto de matemática, esporte e moda. Entre outras coisas faço três apps para iPhone, Creatinely, LockTy e RepZet, e aqui escrevo sobre treino, creatina e os pequenos hábitos que somam. Também faço apps e desenvolvimento sob medida para empresas como independente. Se quiser trabalhar comigo, me escreva.
Isto é informação geral, não conselho médico. Fale com um profissional sobre o seu caso.
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