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Como se concentrar: 8 mudanças que funcionam (inclusive para estudar)

Gabriel SánchezGabriel SánchezPublicado
A student with headphones studies at a library desk facing a big window, between two rows of bookshelves, with an autumn tree outside

Para se concentrar, tome as decisões antes de sentar: escolha uma tarefa e o primeiro passo dela, deixe o celular em outro cômodo, trabalhe ou estude em blocos curtos com pausas fixas e durma o suficiente na noite anterior. A concentração depende mais de como você se organiza do que de quanto você se esforça, e cada uma dessas mudanças tem estudos por trás.

Por que é tão difícil se concentrar

Quase toda dificuldade de concentração vem de três coisas que você pode mudar.

O celular está perto demais. Em uma série de experimentos, quem deixou o celular em outro cômodo foi melhor em testes de memória de trabalho e raciocínio do que quem estava com ele na mesa, virado para baixo e no silencioso (Ward et al., 2017). Nem precisa olhar para ele para que leve parte da sua atenção.

Você troca de tarefa demais. Quando você deixa algo pela metade e pula para outra coisa, parte da atenção fica presa na primeira. Leroy chamou isso de resíduo de atenção, e quem tinha mais resíduo rendia pior na tarefa seguinte (Leroy, 2009). Cada olhada rápida nas mensagens é mais uma troca.

Você está cansado. Em uma meta-análise de 70 estudos, passar uma noite sem dormir afetou a atenção simples mais do que qualquer outra capacidade medida. O raciocínio quase não mudou, mas os lapsos de atenção aumentaram muito (Lim e Dinges, 2010).

8 mudanças para se concentrar melhor

  1. Escolha uma tarefa e anote o primeiro passo. "Adiantar o trabalho" é vago. "Escrever o parágrafo de introdução" você consegue começar agora.
  2. Faça um plano "se... então". Por exemplo: "Se forem 9h e eu já tiver feito o café, então abro o documento antes do e-mail". Uma meta-análise de 94 testes mostrou que planos nesse formato tinham um efeito de médio a grande para atingir metas (Gollwitzer e Sheeran, 200638002-1)).
  3. Deixe o celular em outro cômodo. Nem virado para baixo, nem no bolso. Se precisar dele para códigos de verificação, deixe no corredor.
  4. Bloqueie os apps que você abre por costume. Redes sociais, vídeos e notícias durante o horário de estudo ou trabalho, para que "só uma olhadinha" deixe de ser opção.
  5. Trabalhe em blocos com pausas fixas. Em um estudo com 87 universitários, quem fez pausas fixas, 6 minutos a cada 24 de estudo (no estilo da técnica Pomodoro) ou 3 a cada 12, terminou menos cansado e distraído e mais concentrado do que quem parava quando achava melhor. E fez a mesma coisa em menos tempo (Biwer et al., 2023).
  6. Termine ou registre antes de trocar. Se precisar parar no meio, escreva uma linha sobre onde parou e o que vem depois, e feche aquela aba.
  7. Tenha uma lista de distrações. Quando aparecer um pensamento ("responder a Ana", "comprar leite"), anote no papel e volte para a tarefa. A lista fica para a pausa.
  8. Cuide do sono. A concentração começa na noite anterior. Se dormiu mal, deixe o mais difícil para quando estiver mais desperto e faça blocos mais curtos.
LockTy screen showing the distracting apps you can block by schedule or place
LockTy: choose the apps that pull you away and when they lock

Bloqueie as distrações enquanto estuda

O LockTy bloqueia os apps que você escolher por horário, quando você chega à biblioteca ou ao escritório, ou por modos, então a regra já está ativa antes de a tentação aparecer. Se precisar de um app por um minuto, você pode pedir uma pausa curta em vez de desligar tudo.

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Como se concentrar para estudar

Para estudar, o que você faz dentro do bloco importa tanto quanto o bloco. Uma grande revisão de técnicas de estudo apontou como as mais úteis testar a si mesmo (questões, flashcards, provas anteriores) e espalhar o estudo por vários dias. Reler e grifar ficaram como técnicas de baixa utilidade (Dunlosky et al., 2013).

Os métodos ativos também dificultam que a cabeça vá para outro lugar. Reler uma página pensando em outra coisa é fácil. Responder de memória a uma questão sem prestar atenção, não.

Um esquema simples para uma tarde de estudo para prova ou vestibular:

  • Antes de começar, anote os temas que vai revisar e prepare 10 ou 15 questões.
  • Em cada bloco, tente responder sem olhar e depois confira.
  • O que você errar vai para a lista da próxima sessão, de preferência em outro dia.

Exemplo de uma sessão de foco

É um exemplo, não uma regra. Ajuste os horários ao seu dia.

Horário

O que você faz

8h45

Celular em outro cômodo. Apps que distraem bloqueados até as 11h.

8h50

Anote a tarefa, o primeiro passo e o plano "se... então".

9h00–9h24

Bloco 1: uma tarefa só.

9h24–9h30

Pausa: levante, beba água, nada de rolar a tela.

9h30–10h30

Mais dois blocos com as mesmas pausas.

10h30

Pausa longa. Veja as mensagens e a lista de distrações.

Se no começo 24 minutos parecerem muito, comece com 12 de trabalho e 3 de pausa, o horário curto do mesmo estudo.

Erros comuns

  • Esperar a vontade aparecer. O plano "se... então" decide por você. Comece pelo primeiro passo mesmo sem vontade.
  • Deixar o celular por perto "só por garantia". Ele tira atenção mesmo sem você encostar nele.
  • Pular as pausas para render mais. No estudo de Biwer, quem controlava as próprias pausas estudava por mais tempo seguido e terminava mais cansado e distraído.
  • Querer mudar tudo de uma vez. Comece pelo celular e pelo primeiro passo. O resto vem quando isso já estiver automático.

Quando é mais do que distração

Se você não consegue se concentrar em lugar nenhum, já faz meses e isso atrapalha o trabalho, os estudos ou os relacionamentos, converse com um médico ou psicólogo. A dificuldade de concentração pode vir junto com TDAH, ansiedade, desânimo ou problemas de sono, e um profissional pode avaliar isso.

Se você já ouviu falar de detox de dopamina, veja o que ele pode e o que não pode fazer. Para mudar hábitos aos poucos, a calculadora de quanto tempo para formar um hábito dá uma estimativa a partir do dia em que você começa. E para um período mais longo de foco, o monk mode (em inglês) aplica essas regras por 30 a 90 dias.

Perguntas frequentes

Por que eu não consigo me concentrar?

O mais comum é ter o celular por perto, pular de uma tarefa para outra sem terminar, não saber direito o que fazer e dormir pouco. Tudo isso dá para resolver mudando o ambiente. Se faz meses que você não consegue se concentrar em lugar nenhum, procure um médico.

Como se concentrar para estudar?

Deixe o celular em outro cômodo, estude em blocos fixos com pausas curtas e use métodos ativos. Testar a si mesmo e espalhar o estudo por vários dias funciona melhor do que reler ou grifar, segundo uma grande revisão de técnicas de estudo.

A técnica Pomodoro funciona?

Em um estudo de 2023 com 87 universitários, quem fez pausas fixas, por exemplo 24 minutos de estudo e 6 de descanso, terminou menos cansado e distraído e mais concentrado do que quem parava quando queria, e fez a mesma coisa em menos tempo.

Como parar de me distrair com o celular?

Deixe o aparelho em outro cômodo enquanto estuda ou trabalha, desative as notificações e bloqueie os apps que você abre por costume nesses horários. Em experimentos, ter o próprio celular na mesa, mesmo virado para baixo e no silencioso, reduziu as notas em testes de memória de trabalho e raciocínio.

Como me concentrar por mais tempo?

Trabalhe em blocos e planeje as pausas em vez de ir até a exaustão. O sono também conta: dormir pouco afeta a atenção simples mais do que quase qualquer outra capacidade mental.

LockTy

Bloqueie os apps que distraem e desbloqueie cumprindo suas metas do dia: passos, sono, leitura ou treino.

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Fontes

  1. Ward AF, Duke K, Gneezy A, Bos MW (2017). Brain drain: the mere presence of one's own smartphone reduces available cognitive capacity. Journal of the Association for Consumer Research 2(2):140–154.
  2. Leroy S (2009). Why is it so hard to do my work? The challenge of attention residue when switching between work tasks. Organizational Behavior and Human Decision Processes 109(2):168–181.
  3. Gollwitzer PM, Sheeran P (2006). Implementation intentions and goal achievement: a meta-analysis of effects and processes. Advances in Experimental Social Psychology 38:69–119.
  4. Biwer F, Wiradhany W, oude Egbrink MGA, de Bruin ABH (2023). Understanding effort regulation: comparing 'Pomodoro' breaks and self-regulated breaks. British Journal of Educational Psychology 93(S2):353–367.
  5. Lim J, Dinges DF (2010). A meta-analysis of the impact of short-term sleep deprivation on cognitive variables. Psychological Bulletin 136(3):375–389.
  6. Dunlosky J, Rawson KA, Marsh EJ, Nathan MJ, Willingham DT (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest 14(1):4–58.
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Sobre o autor

Gabriel Sánchez

22 anos, desenvolvedor de software e empreendedor em Madri.

Sou o Gabriel, tenho 22 anos e moro em Madri. Programo, empreendo com meus próprios produtos e gosto de matemática, esporte e moda. Entre outras coisas faço três apps para iPhone, Creatinely, LockTy e RepZet, e aqui escrevo sobre treino, creatina e os pequenos hábitos que somam. Também faço apps e desenvolvimento sob medida para empresas como independente. Se quiser trabalhar comigo, me escreva.

Isto é informação geral, não conselho médico. Fale com um profissional sobre o seu caso.