Treino HIIT: o que é, como fazer e modelos para iniciantes

HIIT (treino intervalado de alta intensidade) alterna períodos curtos de esforço forte com períodos de recuperação. Um exemplo simples: 30 segundos pedalando forte, 90 segundos leve, repetido 8 vezes. Nos estudos, ele melhorou o condicionamento tanto quanto o cardio longo, ou mais, em bem menos tempo. Para perder gordura, os resultados foram parecidos com os do cardio moderado.
O que dizem os estudos sobre HIIT
Num estudo de 2006, 16 homens ativos fizeram 6 sessões em 2 semanas. Metade fez 4 a 6 tiros de 30 segundos no máximo na bicicleta, com 4 minutos de recuperação. A outra metade pedalou 90 a 120 minutos em ritmo moderado. O tempo total de treino foi de cerca de 2,5 horas contra 10,5 horas, e as melhoras no desempenho e na capacidade oxidativa do músculo foram parecidas (Gibala et al., 2006).
Outro estudo comparou quatro formas de treinar por 8 semanas, 3 vezes por semana, em 40 homens moderadamente treinados. Só os grupos de intervalos intensos (15 segundos forte e 15 leve, ou 4 minutos forte e 3 leve) aumentaram o VO2máx, a medida de capacidade aeróbia. Os grupos de corrida contínua moderada e no limiar não tiveram melhora significativa (Helgerud et al., 2007).
E para emagrecer? Uma meta-análise de 13 estudos com adultos com sobrepeso ou obesidade, treinando em média 3 vezes por semana por 10 semanas, encontrou redução de gordura nos dois tipos de treino, sem diferença significativa entre HIIT e cardio moderado contínuo. O HIIT pediu cerca de 40% menos tempo (Wewege et al., 2017).
Resumindo: o HIIT economiza tempo. Ele não queima gordura de um jeito especial. A perda de gordura continua dependendo de comer menos do que você gasta ao longo das semanas.
Modelos de treino HIIT
Todos começam com 5 a 10 minutos de aquecimento leve e terminam com 3 a 5 minutos de volta à calma.
Protocolo | Esforço | Recuperação | Rodadas | Duração do bloco | Nível |
|---|---|---|---|---|---|
Iniciante 30/90 | 30 s forte | 90 s leve | 6 a 8 | 12 a 16 min | Começando |
30/30 | 30 s forte | 30 s leve | 10 | 10 min | Intermediário |
4x4 | 4 min forte (difícil manter conversa) | 3 min leve | 4 | 25 min | Intermediário |
Tabata | 20 s muito forte | 10 s parado | 8 | 4 min | Avançado |
O protocolo Tabata original usou bicicleta ergométrica, com 7 a 8 tiros de 20 segundos a cerca de 170% do VO2máx e 10 segundos de pausa, 5 dias por semana por 6 semanas. Os participantes melhoraram o VO2máx e a capacidade anaeróbia (Tabata et al., 1996). Muitos "Tabatas" de academia com polichinelos não chegam perto dessa intensidade, e tudo bem, mas aí é outro treino.
Cronômetro de academia: descanso entre séries, Tabata e EMOMO cronômetro tem modo Tabata (20/10, 8 rodadas) e EMOM, com bipes, e você pode ajustar os tempos para o 30/30 ou o 30/90.Qual equipamento usar
Bicicleta ergométrica, bicicleta de ar, remo e esteira são os mais fáceis de dosar, e a maioria dos estudos usou bicicleta ou corrida. Corrida em subida também é uma opção comum.
Circuitos com o peso do corpo (burpee, polichinelo, agachamento com salto, mountain climber) também podem ser HIIT, desde que o esforço seja forte de verdade. Se você consegue conversar durante o tiro, não está em alta intensidade.
Como saber se a intensidade está certa
Use uma escala de esforço de 0 a 10:
- Tiros curtos (20 a 30 segundos): 8 a 9 de 10. Você não consegue falar.
- Tiros de 4 minutos: 7 a 8 de 10. Dá para falar uma ou duas palavras.
- Recuperação: 2 a 3 de 10. Respiração voltando ao normal.
Se a última rodada está muito pior que a primeira, os intervalos estão longos ou a recuperação está curta. Ajuste antes de aumentar rodadas.
O "efeito afterburn" existe?
O HIIT costuma ser vendido como um treino que "continua queimando gordura por 24 horas". O consumo de oxigênio fica mesmo elevado por um tempo depois do exercício, o chamado EPOC. Mas uma revisão sobre o tema encontrou que, mesmo quando esse efeito dura horas, ele corresponde a apenas 6 a 15% do custo de oxigênio do próprio treino. Os autores concluem que o papel do exercício no controle do peso vem sobretudo do gasto durante a sessão (LaForgia et al., 2006).
Um exemplo com números inventados: se uma sessão gastou 250 kcal, um EPOC de 10% acrescenta cerca de 25 kcal. Ajuda, mas é pouco perto das 250 kcal da própria sessão.
HIIT atrapalha o ganho de massa?
Uma meta-análise de 21 estudos comparou musculação sozinha com musculação mais treino aeróbico. O treino combinado ainda deu bons ganhos de força e de hipertrofia, um pouco menores que a musculação sozinha. A interferência apareceu com a corrida, mas não com a bicicleta, e aumentou com a frequência e a duração do aeróbico (Wilson et al., 2012). Esses estudos não eram todos de HIIT, mas o recado prático é o mesmo:
- Prefira bicicleta ou remo se o foco principal é musculação.
- Mantenha as sessões curtas. Na meta-análise, a interferência cresceu com a duração do aeróbico, e a maioria dos protocolos de HIIT dura menos de 30 minutos.
- Duas ou três sessões por semana costumam bastar. Mais que isso aumenta a chance de interferir nas cargas.
Quantas vezes por semana
As diretrizes de 2020 da OMS recomendam a adultos 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 de vigorosa, ou uma combinação, além de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias (Bull et al., 2020). O HIIT entra na conta da atividade vigorosa.
Para a maioria das pessoas, 2 ou 3 sessões por semana em dias não seguidos funcionam bem. Se você também faz musculação, deixe o HIIT para depois do treino de força ou para outro dia, e evite tiros de corrida no dia seguinte a um treino de pernas pesado.

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Erros comuns
- Fazer HIIT todos os dias. A intensidade alta pede recuperação. Nos outros dias, caminhada ou cardio leve.
- Pular o aquecimento. Tiros com o corpo frio aumentam o risco de distensão.
- Chamar de HIIT um circuito em ritmo moderado. Não tem problema, mas não espere os efeitos dos estudos.
- Esperar que o HIIT resolva a perda de gordura sozinho. Ele ajuda no gasto, mas a alimentação decide. Se esse é o objetivo, entenda como calcular suas calorias.
Segurança
HIIT é exigente para o coração. Se você tem doença cardíaca, pressão alta, diabetes, já sentiu dor no peito ou tontura com esforço, ou está parado há muito tempo, converse com um médico antes de começar. Pare na hora se sentir dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura ou palpitação.
Comece com o modelo 30/90 duas vezes por semana. Depois de 3 ou 4 semanas, se a recuperação estiver boa, passe para o 30/30 ou o 4x4.
Perguntas frequentes
HIIT emagrece mais que o cardio contínuo?
Não muito. Uma meta-análise com 13 estudos em adultos com sobrepeso encontrou perda de gordura parecida entre HIIT e cardio moderado contínuo. A diferença foi o tempo: o HIIT pediu cerca de 40% menos minutos de treino.
Quantas vezes por semana fazer HIIT?
Duas ou três vezes, em dias não seguidos, é o formato mais usado nos estudos. Mais que isso cansa e pode atrapalhar os treinos de força.
Quanto tempo dura um treino HIIT?
O bloco de intervalos vai de 4 minutos (Tabata) a uns 25 minutos (4x4). Some 5 a 10 minutos de aquecimento e alguns de volta à calma.
Iniciante pode fazer HIIT?
Pode, com intervalos mais curtos e intensidade abaixo do máximo nas primeiras semanas, por exemplo 30 segundos rápidos e 90 de recuperação. Quem tem doença cardíaca ou pressão alta deve conversar com o médico antes.
Posso fazer HIIT e musculação no mesmo dia?
Pode. Se o objetivo principal é força ou massa, faça a musculação primeiro e o HIIT depois, ou em outro horário. Prefira bicicleta ou remo nos dias de treino de perna para poupar os joelhos.
HIIT continua queimando calorias depois do treino?
Um pouco. Uma revisão sobre o consumo de oxigênio depois do exercício encontrou que esse gasto extra representa só 6 a 15% do custo do próprio treino, mesmo nos casos em que dura horas. O que mais conta para o peso é o gasto durante o exercício.

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Fontes
- Gibala MJ et al. (2006). Treino intervalado de sprints de curta duração versus treino de resistência tradicional: adaptações iniciais semelhantes no músculo esquelético humano e no desempenho. Journal of Physiology 575(3):901–911.
- Tabata I et al. (1996). Efeitos do treino de resistência de intensidade moderada e do treino intermitente de alta intensidade na capacidade anaeróbia e no VO2máx. Medicine & Science in Sports & Exercise 28(10):1327–1330.
- Wewege M, van den Berg R, Ward RE, Keech A (2017). Efeitos do treino intervalado de alta intensidade versus treino contínuo de intensidade moderada na composição corporal de adultos com sobrepeso e obesidade: revisão sistemática e meta-análise. Obesity Reviews 18(6):635–646.
- Helgerud J et al. (2007). Intervalos aeróbios de alta intensidade melhoram o VO2máx mais que o treino moderado. Medicine & Science in Sports & Exercise 39(4):665–671.
- Bull FC et al. (2020). Diretrizes da Organização Mundial da Saúde de 2020 sobre atividade física e comportamento sedentário. British Journal of Sports Medicine 54(24):1451–1462.
- LaForgia J, Withers RT, Gore CJ (2006). Efeitos da intensidade e da duração do exercício no consumo excessivo de oxigênio pós-exercício. Journal of Sports Sciences 24(12):1247–1264.
- Wilson JM et al. (2012). Treino concorrente: meta-análise sobre a interferência entre exercícios aeróbicos e resistidos. Journal of Strength and Conditioning Research 26(8):2293–2307.

Sobre o autor
22 anos, desenvolvedor de software e empreendedor em Madri.
Sou o Gabriel, tenho 22 anos e moro em Madri. Programo, empreendo com meus próprios produtos e gosto de matemática, esporte e moda. Entre outras coisas faço três apps para iPhone, Creatinely, LockTy e RepZet, e aqui escrevo sobre treino, creatina e os pequenos hábitos que somam. Também faço apps e desenvolvimento sob medida para empresas como independente. Se quiser trabalhar comigo, me escreva.
Isto é informação geral, não conselho médico. Fale com um profissional sobre o seu caso.
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