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Técnica Feynman: 4 passos para aprender qualquer coisa explicando

Gabriel SánchezGabriel SánchezPublicado
A woman writing on a whiteboard with a red marker next to a simple diagram with three connected words

A técnica Feynman é um jeito de aprender algo explicando com palavras simples, sem anotações, como se você estivesse ensinando alguém que não sabe nada do assunto. Onde você trava ou apela para o jargão existe uma lacuna no que você entende. Você volta à fonte, corrige e explica de novo, mais simples.

De onde vem o nome

Richard Feynman foi um físico americano que ganhou o Nobel de Física em 1965 e ficou conhecido por explicar ideias difíceis com palavras do dia a dia. Ele nunca publicou um método de quatro passos. A técnica é um resumo moderno do jeito dele de explicar, que acabou levando o seu nome.

Os 4 passos

1. Escolha um conceito e escreva no topo de uma folha

Seja específico. "Biologia" é grande demais. "Como o coração bombeia o sangue pelo corpo" é do tamanho certo para uma folha.

2. Explique como se ensinasse alguém novo no assunto

Escreva ou fale a explicação sem olhar as anotações, para alguém que nunca estudou o tema. Frases curtas e palavras comuns. Se precisar de um termo técnico, defina.

3. Marque as lacunas e volte à fonte

Sublinhe cada ponto em que você travou, pulou uma etapa, enrolou ou usou uma palavra que não saberia definir. Essas são suas lacunas. Volte ao livro ou às anotações só nessas partes e feche de novo.

4. Simplifique e dê um exemplo

Reescreva a explicação mais curta e mais clara. Acrescente um exemplo concreto ou uma comparação. Se você consegue explicar em poucas frases e responder "por quê?" depois de cada uma, você entendeu.

Um exemplo completo

Tema de exemplo: por que existem as estações do ano.

  • Primeira tentativa: "No verão a Terra fica mais perto do Sol, por isso faz mais calor."
  • Lacuna encontrada: se fosse assim, os dois hemisférios teriam verão ao mesmo tempo. E não têm: quando é verão no Brasil, é inverno na Europa. A explicação cai no primeiro "por quê?".
  • De volta à fonte: a causa é a inclinação do eixo da Terra. O hemisfério inclinado para o Sol recebe luz mais direta e tem dias mais longos. Na verdade, a Terra fica mais perto do Sol durante o verão do hemisfério sul.
  • Versão simples: "A Terra gira num eixo inclinado. Durante uma parte do ano, a sua metade fica inclinada para o Sol, então a luz chega mais direta e os dias são mais longos. Isso é o verão. Seis meses depois, a sua metade fica inclinada para o outro lado. Isso é o inverno."

A primeira versão parecia certa até você tentar explicar. É para isso que a técnica serve.

Por que funciona

Você descobre o que não sabe

As pessoas dão nota alta para o quanto entendem objetos do dia a dia, como um zíper ou uma descarga, e dão nota bem mais baixa depois de tentar escrever uma explicação passo a passo. Os pesquisadores chamam isso de ilusão de profundidade explicativa (Rozenblit e Keil, 2002). Nesses estudos, tentar explicar foi o que quebrou a ilusão.

Explicar para si mesmo ajuda a entender

Num estudo clássico, alunos do 8.º ano que foram orientados a explicar cada frase de um texto sobre o sistema circulatório entenderam melhor do que os que leram o texto duas vezes (Chi et al., 1994). A amostra era pequena, mas uma revisão importante de técnicas de estudo classificou depois a autoexplicação como de utilidade média (Dunlosky et al., 2013).

Se preparar para ensinar muda o jeito de estudar

Estudantes que ouviram que iam ensinar um texto lembraram mais, e de forma mais organizada, do que os que ouviram que iam fazer uma prova, mesmo que no fim ninguém tenha ensinado nada (Nestojko et al., 2014).

Fazer sem anotações é a parte principal

Num experimento, quem ensinou sem anotações foi melhor numa prova uma semana depois do que quem ensinou com anotações. Quem só praticou lembrar o conteúdo foi mais ou menos tão bem quanto quem ensinou sem anotações (Koh et al., 2018). O ganho parece vir de puxar a informação da memória.

Limites

  • Leva tempo. Um conceito pode ocupar uma folha inteira e duas rodadas. Guarde para as ideias que você não entende, não para cada linha do conteúdo.
  • Não serve para decorar. Vocabulário, datas e fórmulas fixam melhor com flashcards e revisões espaçadas. Isso está no guia de técnicas de estudo.
  • Dá para explicar algo errado com toda a confiança. Sempre confira a versão final com a fonte.
  • Simples não é vago. "Explique para uma criança" quer dizer palavras comuns, não cortar as etapas que importam.

Coloque na sua sessão de estudo

Uma rotina simples: estude uma parte, feche o livro, explique numa folha em branco, confira as lacunas e transforme a versão explicada em três ou quatro perguntas para a próxima rodada. Repita a explicação alguns dias depois, sem anotações. Se ela se sustentar, siga em frente.

Faça isso com o celular longe. Numa série de experimentos, as pessoas foram pior em testes de memória e raciocínio com o celular em cima da mesa do que com ele em outro cômodo (Ward et al., 2017), embora uma replicação posterior não tenha encontrado o efeito. De qualquer forma, uma explicação pela metade quando chega uma notificação é uma explicação que você vai recomeçar. Transformar isso em costume leva um tempo, e a calculadora de formação de hábitos dá uma estimativa.

Primeiro o estudo, depois o scroll

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Perguntas frequentes

Quais são os 4 passos da técnica Feynman?

1) Escolha um conceito e escreva o nome dele no topo de uma folha. 2) Explique com palavras simples, como se ensinasse alguém que não sabe nada do assunto. 3) Marque onde você travou ou usou jargão e volte à fonte. 4) Reescreva a explicação de forma mais simples, com um exemplo ou uma comparação.

A técnica Feynman funciona mesmo?

Não há testes da técnica com esse nome, mas as partes dela são bem estudadas. Explicar o conteúdo para si mesmo, se preparar para ensinar e ensinar sem anotações melhoraram o aprendizado em experimentos, e uma revisão importante classificou a autoexplicação como de utilidade média.

Richard Feynman inventou a técnica Feynman?

Não como um método com nome. Feynman foi um físico ganhador do Nobel conhecido por explicar ideias difíceis com palavras simples, e os quatro passos são um resumo moderno desse jeito de explicar que leva o nome dele.

Dá para usar a técnica Feynman em matemática?

Dá, para as ideias por trás de um procedimento: por que uma fórmula funciona, quando usar e o que cada passo faz. Mesmo assim, você precisa resolver exercícios, de preferência misturando tipos, para ganhar velocidade.

A técnica Feynman serve para decorar?

Sozinha, não. Ela foi feita para entender. Para listas, vocabulário, datas ou fórmulas, funciona melhor se testar com flashcards em vários dias.

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Fontes

  1. Rozenblit L, Keil F (2002). The misunderstood limits of folk science: an illusion of explanatory depth. Cognitive Science 26(5):521–562.
  2. Chi MTH, De Leeuw N, Chiu MH, LaVancher C (1994). Eliciting self-explanations improves understanding. Cognitive Science 18(3):439–477.
  3. Nestojko JF, Bui DC, Kornell N, Bjork EL (2014). Expecting to teach enhances learning and organization of knowledge in free recall of text passages. Memory & Cognition 42(7):1038–1048.
  4. Koh AWL, Lee SC, Lim SWH (2018). The learning benefits of teaching: a retrieval practice hypothesis. Applied Cognitive Psychology 32(3):401–410.
  5. Dunlosky J, Rawson KA, Marsh EJ, Nathan MJ, Willingham DT (2013). Improving students' learning with effective learning techniques: promising directions from cognitive and educational psychology. Psychological Science in the Public Interest 14(1):4–58.
  6. Ward AF, Duke K, Gneezy A, Bos MW (2017). Brain drain: the mere presence of one's own smartphone reduces available cognitive capacity. Journal of the Association for Consumer Research 2(2):140–154.
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Sobre o autor

Gabriel Sánchez

22 anos, desenvolvedor de software e empreendedor em Madri.

Sou o Gabriel, tenho 22 anos e moro em Madri. Programo, empreendo com meus próprios produtos e gosto de matemática, esporte e moda. Entre outras coisas faço três apps para iPhone, Creatinely, LockTy e RepZet, e aqui escrevo sobre treino, creatina e os pequenos hábitos que somam. Também faço apps e desenvolvimento sob medida para empresas como independente. Se quiser trabalhar comigo, me escreva.

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